segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Memórias | Entrevista a Márcio Vieira

Iniciamos hoje aqui no blog uma secção dedicada aos jogadores que já passaram pelo Marco, recordando as carreiras e bons momentos vividos. São muitos os jogadores que já representaram o Futebol Clube do Marco e tentaremos dar destaque ao maior número possível. Se também quiser ajudar envie as informações que ache interessantes para o email do blog.



Filho de pais portugueses, Márcio Vieira nasceu em Andorra e veio para Portugal aos 12 anos. Aos 15 entrou nos juvenis do Marco e no ano seguinte já integrava os seniores do clube. Por lá permaneceu até aos 21 anos, ingressando depois no futebol espanhol. Pelo meio, tornou-se internacional por Andorra, a 12 de Outubro de 2005, frente à Arménia. Organizador de jogo da selecção andorrenha, Márcio Vieira soma 17 internacionalizações. Fique a conhecer agora a curiosa história deste médio de 25 anos.

Fez a sua formação no Marco, no qual chegou à equipa sénior com apenas 16 anos. Contudo, e apesar de ser considerado uma promessa, nunca conseguiu impor-se no clube. O que falhou na passagem pelo Marco?
Márcio Vieira - Comecei a jogar no Marco com 15 anos, estive um ano nos juvenis e no ano seguinte subi à primeira equipa, que disputava a II Divisão B e subiu à Liga de Honra. Foi nessa época, 2001/2002, que tive a minha oportunidade, através do ‘mister’ Bruno Cardoso, com apenas 16 anos. Faltou-me sorte, porque apostaram cedo em mim, mas nunca deram o valor suficiente às camadas jovens e depois estive alguns anos a jogar muito pouco.

Considera-se vítima da preferência dos dirigentes portugueses pelo mercado estrangeiro?

- Não é bem isso. Mas a verdade é que o Marco sempre deu valor ao que vinha de fora e nunca ao que tinha. Só me deram mais importância quando se viram necessitados, porque surgiram clubes interessados e comecei a receber convocatórias da selecção. Sinto que perdi muito tempo no Marco... Ainda assim, é um clube que sinto muito, ao qual dou valor e estou bastante triste pelo que lhe aconteceu [extinção do futebol profissional].

Durante o período que representou o Marco, houve hipóteses de sair?


- Houve muitas vezes, só que nunca me deixaram sair. Existiam equipas que me queriam emprestado, mas não me deixavam sair e, depois, acabava por jogar pouco. Por isso é que digo que perdi lá muito tempo, pois um jogador novo tem que jogar. Só joguei com regularidade nos últimos seis meses no clube.


GOSTAVA DE PERMANECER EM ESPANHA”

Depois rumou ao Ibiza, da III Divisão espanhola. Qual o motivo que o levar a escolher essa opção?
- Tinha algumas opções, mas o projecto do Ibiza impressionou-me. Tive hipótese de ir para o Pontevedra, que me andava observar nos últimos jogos pelo Marco, só que o clube queria dinheiro por mim… Tinha clubes interessados em Portugal, mas os clubes estão muito mal em termos financeiros. Aqui, em Espanha, a realidade é bem diferente, muito, mas mesmo muito, melhor.
Como foi a adaptação a Espanha?
- No início custou um pouco a adaptar-me, sobretudo devido à distância da minha namorada, mas depois tudo correu bem. Desportivamente foi muito bom e consegui outra subida de divisão.
Ingressou depois no Teruel, outro clube da III Divisão…
- Sim, porque é um clube com história aqui em Aragão, tinha um projecto para subir e o treinador mostrou-se muito interessado em mim. Não me arrependo nada de ter ido para esse clube. As coisas correram bem individual e colectivamente: joguei bem e a equipa esteve nos lugares de cima, pronta a discutir a subida nos ‘playoff’.
Qual o seu objectivo em termos de carreira?
- O meu objectivo é trabalhar todos os dias para subir. Gostava de permanecer em Espanha e, um dia mais tarde, acabar a minha carreira em Portugal.
- Um regresso a Portugal mais cedo não está nos seus planos?
- Não digo que não possa regressar, mas, para isso acontecer, tem que ser uma coisa certa e melhor do que a que tiver no momento.


“JOGAR POR ANDORRA FAZ-ME CRESCER”

Antes de ser chamado para representar Andorra, pensava nessa possibilidade?
- Sim, porque sabia que eles me tinham observado. No entanto, antes só queria estar bem no Marco e nem pensava nisso.
Como reagiu quando foi chamado à selecção?
- Estava no Marco quando foi a minha primeira convocatória, no primeiro dia de trabalho da época 2005/2006. Recebi uma chamada do seleccionador de Andorra a dizer que estava convocado para os jogos com a Roménia, Holanda e Finlândia. Fiquei muito feliz, mas o pior estava para vir, porque no dia seguinte tive uma lesão e fiquei parado quatro meses. Só pude, por isso, estrear-me mais tarde, contra a Arménia, no último jogo da qualificação para o Mundial 2006.
Sente-se mais português ou andorrenho?
- Foi uma enorme emoção ouvir o hino de Andorra, pois sinto-o muito. Mas, na verdade, sou ‘meio-meio’, pois tanto sinto Andorra como Portugal.
A selecção de Andorra é amadora e tem um nível muito baixo, mas permite-lhe jogar contra algumas estrelas do futebol internacional. Sente que esse facto tem contribuído para a sua evolução?
- Sim, muito. É bom jogar contra esses grandes jogadores e em estádios como Old Trafford, com 65 mil pessoas nas bancadas… São momentos para recordar e que me fazem crescer como jogador.


“GERRARD É IMPRESSIONANTE”
Ao serviço de Andorra, Márcio Vieira já defrontou alguns nomes sonantes do futebol internacional, como Hleb, Pandev, Eduardo da Silva, Benayoun, Lampard ou Rooney, entre outros. No entanto, Steven Gerrard foi o jogador que mais impressionou o médio do Teruel. “É um jogador completo, faz tudo. Defende, ataca, chuta e está em todo o lado. Foi engraçado porque em Old Trafford a minha missão era marcar o Lampard, mas, a dado momento, o treinador mandou-me marcar o Gerrard e aí vi que ele é realmente fantástico”, refere Márcio.

 PERFIL
Trata-se de um médio polivalente, capaz de desempenhar várias funções no meio-campo, sobretudo as posições 6 e 8. Jogador trabalhador e de espírito colectivo, Márcio Vieira é um organizador de jogo que se evidencia mais pelas assistências do que pelos golos.
Actuou no Marco até à época de 2005/2006 saindo depois rumo a Espanha por falta de oportunidades na equipa marcoense. Ficamos à espera no futuro um regresso à cidade que o viu crescer para o futebol.


Veja também uma compilação do seu jogo contra a Inglaterra pela selecção de Andorra:

1 comentário:

Unknown disse...

Este miudo merece muito mais e melhor. Deu-me um enorme gozo jogar ao lado dele. Passamos momentos maravilhosos no Alpendorada. Ele ha-de ir longe.
Sinto-me mesmo honrado ter sido companheiro dele e ter alinhado ao lado dele.
Obrigado pela camisola da seleção que me ofereces-te.

Abraço
Macieira 7