
Fez a sua formação no Marco, no qual chegou à equipa sénior com apenas 16 anos. Contudo, e apesar de ser considerado uma promessa, nunca conseguiu impor-se no clube. O que falhou na passagem pelo Marco?
Márcio Vieira - Comecei a jogar no Marco com 15 anos, estive um ano nos juvenis e no ano seguinte subi à primeira equipa, que disputava a II Divisão B e subiu à Liga de Honra. Foi nessa época, 2001/2002, que tive a minha oportunidade, através do ‘mister’ Bruno Cardoso, com apenas 16 anos. Faltou-me sorte, porque apostaram cedo em mim, mas nunca deram o valor suficiente às camadas jovens e depois estive alguns anos a jogar muito pouco.
Considera-se vítima da preferência dos dirigentes portugueses pelo mercado estrangeiro?
- Não é bem isso. Mas a verdade é que o Marco sempre deu valor ao que vinha de fora e nunca ao que tinha. Só me deram mais importância quando se viram necessitados, porque surgiram clubes interessados e comecei a receber convocatórias da selecção. Sinto que perdi muito tempo no Marco... Ainda assim, é um clube que sinto muito, ao qual dou valor e estou bastante triste pelo que lhe aconteceu [extinção do futebol profissional].
Durante o período que representou o Marco, houve hipóteses de sair?
GOSTAVA DE PERMANECER EM ESPANHA”
Depois rumou ao Ibiza, da III Divisão espanhola. Qual o motivo que o levar a escolher essa opção?
- Tinha algumas opções, mas o projecto do Ibiza impressionou-me. Tive hipótese de ir para o Pontevedra, que me andava observar nos últimos jogos pelo Marco, só que o clube queria dinheiro por mim… Tinha clubes interessados em Portugal, mas os clubes estão muito mal em termos financeiros. Aqui, em Espanha, a realidade é bem diferente, muito, mas mesmo muito, melhor.
Como foi a adaptação a Espanha?
- No início custou um pouco a adaptar-me, sobretudo devido à distância da minha namorada, mas depois tudo correu bem. Desportivamente foi muito bom e consegui outra subida de divisão.
Ingressou depois no Teruel, outro clube da III Divisão…
- Sim, porque é um clube com história aqui em Aragão, tinha um projecto para subir e o treinador mostrou-se muito interessado em mim. Não me arrependo nada de ter ido para esse clube. As coisas correram bem individual e colectivamente: joguei bem e a equipa esteve nos lugares de cima, pronta a discutir a subida nos ‘playoff’.
Qual o seu objectivo em termos de carreira?
- O meu objectivo é trabalhar todos os dias para subir. Gostava de permanecer em Espanha e, um dia mais tarde, acabar a minha carreira em Portugal.
- Um regresso a Portugal mais cedo não está nos seus planos?
- Não digo que não possa regressar, mas, para isso acontecer, tem que ser uma coisa certa e melhor do que a que tiver no momento.“JOGAR POR ANDORRA FAZ-ME CRESCER”
Antes de ser chamado para representar Andorra, pensava nessa possibilidade?
- Sim, porque sabia que eles me tinham observado. No entanto, antes só queria estar bem no Marco e nem pensava nisso.
Como reagiu quando foi chamado à selecção?
- Estava no Marco quando foi a minha primeira convocatória, no primeiro dia de trabalho da época 2005/2006. Recebi uma chamada do seleccionador de Andorra a dizer que estava convocado para os jogos com a Roménia, Holanda e Finlândia. Fiquei muito feliz, mas o pior estava para vir, porque no dia seguinte tive uma lesão e fiquei parado quatro meses. Só pude, por isso, estrear-me mais tarde, contra a Arménia, no último jogo da qualificação para o Mundial 2006.
Sente-se mais português ou andorrenho?
- Foi uma enorme emoção ouvir o hino de Andorra, pois sinto-o muito. Mas, na verdade, sou ‘meio-meio’, pois tanto sinto Andorra como Portugal.
A selecção de Andorra é amadora e tem um nível muito baixo, mas permite-lhe jogar contra algumas estrelas do futebol internacional. Sente que esse facto tem contribuído para a sua evolução?
- Sim, muito. É bom jogar contra esses grandes jogadores e em estádios como Old Trafford, com 65 mil pessoas nas bancadas… São momentos para recordar e que me fazem crescer como jogador.
“GERRARD É IMPRESSIONANTE”
PERFIL
Trata-se de um médio polivalente, capaz de desempenhar várias funções no meio-campo, sobretudo as posições 6 e 8. Jogador trabalhador e de espírito colectivo, Márcio Vieira é um organizador de jogo que se evidencia mais pelas assistências do que pelos golos.
Actuou no Marco até à época de 2005/2006 saindo depois rumo a Espanha por falta de oportunidades na equipa marcoense. Ficamos à espera no futuro um regresso à cidade que o viu crescer para o futebol.
Veja também uma compilação do seu jogo contra a Inglaterra pela selecção de Andorra:
1 comentário:
Este miudo merece muito mais e melhor. Deu-me um enorme gozo jogar ao lado dele. Passamos momentos maravilhosos no Alpendorada. Ele ha-de ir longe.
Sinto-me mesmo honrado ter sido companheiro dele e ter alinhado ao lado dele.
Obrigado pela camisola da seleção que me ofereces-te.
Abraço
Macieira 7
Enviar um comentário